terça-feira, 28 de março de 2017

Rapidinha do dia: CHILD'S PLAY (1988)


Definição de "politicamente incorrecto": provavelmente posso perder os três seguidores que tenho; provavelmente irão telefonar à Segurança Social a informar que não poderei ter filhos; mas foda-se, consegui estar o filme todo a torcer por um boneco assassino. Eu só queria que o Charles Lee Ray (aka Chucky) degolasse aquele puto irritante. 
Na categoria de "putos chatos, mimados do cinema", este miúdo está ali à frente juntamente com o puto do Phantom Menace e Jingle All The Way.
Era só isto e obrigado. Mas atenção que eu não sou má pessoa. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

THE MATRIX (1999)


1999. O Mundo estava à beira do fim. Havia uma coisa que atormentava tudo e todos. Uma coisa que ditava o Apocalipse, o armagedão. Era o chamado Bug do milénio. Se bem me lembro, parece que os computadores iriam rebentar e mandar a Terra de volta para a idade da Pedra, tudo porque não conseguiriam fazer a passagem do ano 1999 para 2000. Era realmente uma chatice. Ora, se eu estou a escrever este texto em 2017, é porque essas "profecias" não se realizaram, se bem que as coisas não estejam espectacularmente melhores.
Em 1999, a informática para mim estava presente nomeadamente nas aulas de ITI (Introdução às Técnicas de Informação), e aquelas aulas eram quase ficção-científica, pois lidávamos com uma coisa que era o MS-DOS. Acho que os professores devem ter ficado congelados no tempo, pois se bem me recordo, essa coisa do MS-DOS, mesmo em 1999, era coisa do passado. Só faltava, essas aulas serem dadas em ZX-Spectrum, que durante muitos anos foi o meu companheiro. A primeira pornografia que vi foi num 128K, e era esse mítico jogo "Paradise Cafe". Também o jogo "Saboteur 2" tinha uma protagonista de roupa de cabedal e seios avantajados. Agora que penso nisso, bem podia fazer parte do filme que me traz aqui hoje, The Matrix.
E nesse final de século, The Matrix era a cena. Foi o filme que toda a gente falava. Não havia adolescente, naquela altura, que não amasse o filme. Já não me lembro porquê, mas não consegui ir ver o filme ao cinema. Só uns meses mais tarde, e por causa do hype todo, é que comprei uma cassete VHS do filme, e digamos que a reacção não foi a que esperava. Fui todo lampeiro comprar o filme, pois tinha a certeza que o iria adorar. Chegava tarde mas ia gostar na mesma, e digamos que não foi isso que aconteceu. Tinha achado o filme mau. E a partir daí, comecei a construir uma relação de ódio em relação ao filme. Dizia sempre que era a pior coisa que já tinha visto na vida. Estava a mentir, eu sei, mas era mau. E talvez a culpa fosse minha. Talvez não tivesse percebido bem todas as camadas do filme, todas as metáforas subjacentes a cada tema.


Bem, o filme começa com uma cena de abertura que dá o mote para o tipo de acção que aí vem. A polícia persegue a Trinity (Carrie A. Moss), se bem que não sabemos qual foi o crime que cometeu. Aparecem os Agents a "ajudar" na perseguição e vemos logo que existem dois mundos: o "real" e o Matrix.
Entretanto aparece o Neo (Keanu Reeves) que dá numa de Alice no País das Maravilhas, segue o "white rabbit" e conhece Morpheus (Lawrence Fishburne) que diz que ele deverá ser o One, ou Escolhido, e cumprir a profecia. Curiosamente One é um anagrama para Neo. Não sei se isto foi propositado, mas não deixa de ser um spoiler. Morpheus passa 80% do filme a ensinar o que é o mundo do Matrix. No terceiro acto do filme, o Morpheus é raptado pelos Agents e assistimos ao resgate, naquela cena que se tornou mítica, em que o Neo e a Trinity entram pelo prédio a dentro.
Acaba com o Neo a ser morto e a ressuscitar com um beijo tal e qual a Bela Adormecida. 

Há três palavras que podem ajudar a definir o filme: estilo, cabedal e Nokia. Quando estão conectados, os personagens enchem-se de estilo com grandes roupas, a gaja com um fato de cabedal impecável, e Nokias que em 1999/2000 todos queríamos ter. O Neo começou a ditar a moda dos casacos compridos. E depois o filme é visionário: ainda antes dos azeitolas dos reality-shows andarem de óculos de sol à noite e dentro de prédios, já estes tipos andavam a fazer isso. Porquê? No entanto, tenho de admitir que os óculos de sol do Morpheus são super-espectaculares. 


O melhor do filme: a léguas, Agent Smith (Hugo Weaving) é o melhor deste filme e da trilogia completa. Depois, a personagem mais interessante só aparece numa cena. E estou a falar da velha que é tipo Maya e que diz ao Neo o que ele deve ouvir. Bem, este Oráculo sabe TUDO, mas depois não adivinhou que a equipa dos bons tinha lá um traidor no meio. 

No geral, o filme é cheio de estilo com algum conteúdo. É certo que a dupla amorosa (Neo / Trinity) tem a química de dois calhaus que se apaixonaram, mas na verdade também vemos este filme por outras razões. 

(O pior estava mesmo para vir nos dois filmes seguintes)

sábado, 18 de março de 2017

Rapidinha do dia: PASSENGERS (2016)


SPOILERS

Sejamos sinceros: somos os únicos acordados numa nave com 5000 pessoas em hibernação. A nave só chegará ao destino em 90 anos. Quantos de nós não "acordaríamos" uma bela Jennifer Lawrence ao fim de 5 minutos? Era logo a primeira coisa a fazer.... Quanto mais esperar um ano na solidão, em que a única companhia é um barman andróide. Essa é a maior falha deste Passengers: ninguém acredita que só ao final de um ano o Chris Pratt tenha coragem para a acordar, quando pode tê-la de quatro de vez em quando. É que a partir do momento em que a acorda é rambóia da boa. 
Agora façamos o seguinte exercício: imaginemos o mesmo filme mas com dois actores completamente banais. É que o Pratt e a Lawrence têm carisma para dar e para vender. Será que teríamos o "mesmo" filme com outra dupla? Melhor, imaginem o Pattinson e a Kristin Stewart como protagonistas? E por aqui me fico.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Rapidinha do dia: GODZILLA (2014)


Foda-se... sabemos que alguma coisa não correu muito bem quando preferimos a abordagem do Roland Emmerich ao Godzilla que este mais sério do Gareth Edwards.
E o que faltou ao filme do Edwards??? Diversão: afinal estamos a falar de um filme de monstros. Faltaram personagens cativantes. Mas sobretudo, faltou um Jean Reno a mascar pastilha elástica enquanto tentava imitar os trejeitos americanos. 
Por isso, ponto para o Emmerich.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Rapidinha do dia: KING KONG (1933)


Revi King Kong, o clássico sobre o macaco que trepa ao Empire State Building com uma loira nas patas. Adormeci ainda não tinha chegado à parte da ilha. Não que a culpa seja do filme. Não é. A culpa é minha que insisto em começar a ver um filme pouco antes da meia-noite, quando o dia seguinte é dia de trabalho. O que dirá um puto de 15 anos ao ver este filme, pela primeira vez, com os olhos de hoje? Já agora, o filme padece de um mal de coerência nas proporções: ora parece gigantesco, ora parece mais "normal".
Parece que está quase a estrear um novo filme do Kong, e é por isso que estou a rever os anteriores.

quinta-feira, 2 de março de 2017

REMEMBERING BILL PAXTON

Quando nos perguntam quais os nossos actores favoritos, dificilmente alguém se lembra de Bill Paxton. E não é por o gajo ser mau actor... longe disso. Aliás, o gajo é uma grande actor, mas passou a vida a fazer papéis secundários. Acontece que o seu desempenho em cada papel é tão marcante e icónico que nunca está ali um tipo estereotipado. A sua partida para o além apanhou toda a gente de surpresa. Novo e sem problemas de saúde que fossem públicos, o homem é visto pelo seus pares como alguém que é impecável como ser-humano. Não sei, não avalio quem não conheço. O que sei é que ele adicionava sempre em cada papel algo diferente. 
Segue um leque de papéis que me ficaram na memória pelos melhores motivos.

- ALIENS - O Recontro Final (1986), de James Cameron


- NEAR DARK - Depois do Anoitecer (1987), de Kathryn Bigelow


- PREDATOR 2 (1990), de Stephen Hopkins


Este é um guilty pleasure.

- TRUE LIES - A Verdade da Mentira (1994), de James Cameron


- APOLLO 13 (1995), de Ron Howard


- TWISTER - Tornado (1996), de Jan De Bont 


- TITANIC (1997), de James Cameron


- A  SIMPLE PLAN - O Plano (1998), de Sam Raimi


- EDGE OF TOMORROW - No Limite do Amanhã (2014), de Doug Liman


- NIGHTCRAWLER - Repórter na Noite (2014), de Dan Gilroy


- THE TERMINATOR - O Exterminador Implacável (1984), de James Cameron


Este só está na lista porque ele tem um look espectacular, porque na verdade eu odeio o filme.

E depois Bill Paxton está em dois dos filmes da minha vida (Titanic e Aliens).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

HACKSAW RIDGE (2016)


Ah, que refrescante é ver o novo filme do gajo que já nos tinha dado Braveheart, Apocalypto ou a Paixão de Cristo. Sim, Mel Gibson voltou, e em boa hora. Há já alguns anos que não via um bom filme de guerra. E aqui, decide contar a história verídica de um herói da Segunda Guerra Mundial. O herói que, sozinho, salvou a vida a 75 pessoas em Okinawa, sem matar um único japonês, nem sequer tocar numa arma. 
E digo desde já que estamos perante um Bom filme, com realização impecável, sustentada por actores que sabem o que fazem. Mas já lá vamos.
O filme conta a história desse herói, Desmond Doss, desde a infância até à batalha de Hacksaw Ridge. E essa viagem até à infância dele é importante para nos ajudar a perceber as motivações dele mais tarde. 
Eu cá acho que podemos dividir o filme em duas partes distintas. 


A primeira parte é mais "ligeira", e que consegue alternar entre momentos mais dramáticos, nomeadamente com a figura do pai de Desmond (Hugo Weaving), e as cenas com Teresa Palmer, a namorada. E aqui me confesso: gostei bastante de todo o flirt e engate que o rapazinho faz à miúda. Pareceu tudo tão inocente a forma como aborda a rapariga e todo o namoro posterior. Foi fofo, mesmo que tenha sido aquilo que os ingleses chamam de "corny" ou piroso. Mas foi um piroso bom. Depois o gajo alista-se pois quer servir o país na guerra, que entretanto começou. Só há um pormenor: está bem que quer ir para a guerra, ajudar o país contra os inimigos e tal, mas alto lá com isso que não pego em nenhuma arma. Ainda assim, lá está ele no recrutamento. E aqui quem brilha é Vince Vaughn. Sim, o gajo que faz sempre dele próprio nos filmes, o engraçadinho, tem aqui um papelaço. Então a primeira cena em que ele aparece, com o pelotão em sentido na camarata fez lembrar o Full Metal Jacket do Kubrick
E já que falo no Vince Vaughn, refiro já quem se destaca. Estão todos bem. Não há ninguém que faça um mau papel, mas caramba, há muito que não via o Hugo Weaving com um desempenho tão forte como aqui. Um gajo sente a dor e sofrimento só de olhar para ele. 
A Teresa Palmer é gira que dói, e a parelha que faz com o Grafield resulta em cheio. Há ali química. Não sei se nos bastidores a coisa rolou, mas no set resultava.
E claro, o Andrew Garfield. Eu já sabia que o gajo era bom actor. É até hoje o melhor Peter Parker/ Spider Man. E no Social Network do Fincher, era ele quem se destacava do resto. Mas caramba, aqui superou-se a si próprio, seja nas cenas em que mostra um lado mais desajeitado, seja na acção propriamente dita. 


Bem, mas o que fica realmente na memória é toda aquela segunda parte do filme, ou seja, quando o pelotão vai para a frente de batalha. Digamos apenas que não há ninguém muito melhor que o Mel Gibson para filmar a violência, brutalidade da guerra de forma tão realista. Desde Spielberg com o seu Resgate do Soldado Ryan que não via nada assim. 
E se nos pode parecer paradoxal esta forma de filmar tão violenta e visceral, pois para alguns poderá parecer que está a glorificar a guerra, isto (na minha opinião) só realça ainda mais o feito de Desmond Doss. É que no meio daquele horror todo retratado (e só quem já esteve presente num campo de batalha poderá sequer perceber o que isso é), o gajo nunca vacilou, não cedeu, e mesmo assim conseguiu salvar a vida a 75 pessoas, inclusive a de um inimigo. 

No geral é um filme que tem um equilíbrio muito bom de sentimentos. Consegue juntar adrenalina, terror e tensão. E há ali momentos bem tensos: a cena em que o gajo enterra um ferido vivo para este não ser apanhado pelos japoneses foi de cortar a respiração. E depois é um filme muito gráfico: vemos membros a voar, intestinos e tripas de fora, um gajo soldado que usa meio corpo de outro como escudo. Há para todos os "gostos" (esta não será a palavra mais correcta). 

Acaba por ser um filme importante nos dias de hoje, ao mesmo tempo que homenageamos uma pessoa que estava "esquecida" mas que merece ser lembrada. E a acreditar nos depoimentos das pessoas, grande parte do que foi retratado no filme passou-se mesmo.
Como ponto negativo: serviu para perceber que sou um mariquinhas que se visse naquela situação, tenho a certeza que me entregaria ao inimigo ao primeiro segundo ou então permaneceria bem escondido durante a batalha inteira. 


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ALIEN (1979; 1986; 1992; 1997)


IN SPACE NO ONE CAN HEAR YOU SCREAM

Começar um texto sobre a saga Alien com a sua famosa tagline deve ser do mais cliché que existe. Como sou desses tipos clichés, sigo essa moda.

Um gajo como eu, que nasceu no início dos anos 80, e que só começou a ver filmes para adultos (de todo o género) no início dos 90, só teve a possibilidade de ver a saga Alien em casa, numa televisão Sony Black Trinitron. Nomeadamente os 3 primeiros filmes, cujas cassetes VHS (que já não existem) foram passadas vezes sem conta. Era uma altura em que víamos os filmes repetidamente. E nós não éramos esquisitos. Víamos toda a merda que aparecia: boa ou má. No entanto, sabíamos reconhecer o que era bom e o que era mau. Quando hoje em dia, vejo adultos que dizem que as Sombras de Grey é um grande filme, dá-me logo uma comichão no cérebro. Eu sei que cada um tem a sua opinião e temos de respeitar. Eu sei disso tudo... mas isso não me impede de achar que uma pessoa que vê qualidades cinematográficas nesse pedaço de bosta, tenha apenas um neurónio e mal utilizado. 
Bem, mas estou a desviar-me do que me trouxe aqui hoje. O que me traz aqui é essa saga de terror/ ficção científica/ acção, que é ALIEN. São quatro filmes. Todos eles muito diferentes uns dos outros. Vamos esquecer esse bocado de merda (não posso utilizar a palavra "bosta" outra vez... questões de repetição) que foi Prometeus, aquele que considero a minha maior desilusão ao nível do cinema. 
Vem agora piada fácil e batida: Prometeus prometeu mas não cumpriu. Uma espécie de derivação filosófica sobre a origem da vida e não sei mais o quê. Não é muito difícil fazer um filme Alien

1 ou mais bichos + grupo de humanos e um robot = chacina. 

Claro que depois podemos acrescentar alguns elementos sobre quem são realmente os monstros. É que os humanos podem ser ainda mais vis que os aliens.

Mas dizia eu que a saga era então composta por 4 filmes: 2 excelentes e 2 não tão excelentes. Dentro dos excelentes (primeiro e segundo), houve um crítico americano que dizia (não me recordo quem) algo muito interessante: o ser-humano pode distinguir-se em dois tipos - os que preferem o filme do Ridley Scott e os outros que preferem o do James Cameron. Mas o que temos nesta saga são quatro realizadores, cada um com a sua visão deste universo. No caso do David Fincher foi mais uma visão dos estúdios do que propriamente e dele. 

Mas vamos lá rever o que cada um significou para mim. É possível que haja SPOILERS, mas estou-me a cagar. Isto são filmes que têm entre 20 e 40 anos.
(NB - serão abordadas as edições especiais, ou director's cut. No caso do terceiro filme, chama-se assembly cut pois o realizador não quis ter nada com isso.)

ALIEN - O OITAVO PASSAGEIRO (1979)


Uma coisa que destaco neste filme é o ritmo, nomeadamente da primeira parte. Os primeiros 6 minutos são gastos nos créditos e "apresentação" da nave Nostromo. A tripulação está em sono criogénico e só acorda aos 6 minutos. Está criado o ambiente. O Ridley Scott a mostrar que não tem medo de levar o seu tempo. Hoje em dia, onde tudo tem de ser imediato, seria praticamente impossível fazer um filme assim. 
Depois de acordarem, vemos conversas triviais de uma tripulação adulta. Uns falam de dinheiro e bónus que querem receber. Outros mostram ansiedade para voltar a casa. E lá entre os sete passageiros está a Ripley. Aqui é só mais uma. Não tem nem mais nem menos destaque em relação aos outros.
A tripulação recebe ordens para ir investigar um planeta, aparentemente desabitado. E é aí que o Kane (John Hurt) descobre uma série de ovos. Só passada mais de meia hora de filme é que se dá o episódio com o facehugger (termo usado ao longo dos filmes para definir o bicho que se agarra à cara das pessoas). Kane é então atacado e é levado de volta para a Nostromo. Aqui vamos perceber quem é o filho da puta da tripulação. Há sempre um. Neste caso é Ash (Ian Holm), o gajo da ciência. À força de querer saber que bicho é aquele que Ash traz no focinho, põe em perigo toda a tripulação, desrespeitando as regras da nave. Acontece que depois o facehugger despega-se da cara do Kane e tudo corre bem. Até que.......... numa cena banal em que estão todos à mesa em amena cavaqueira, Kane começa a sentir-se mal e pumba...... ainda hoje essa cena me arrepia. O alien, o oitavo passageiro (se excluirmos o gato) sai pelo peito do pobre coitado e desaparece. 
Um mecanismo encontrado para não utilizarem armas neste filme: o raio do bicho tem ácido em vez de sangue. Foi uma bela forma de impedir o uso de armas que poderia facilitar o desenlace. Assim torna o bicho ainda mais aterrador do que já é. E o cabrão do Alien é mesmo aterrador. Levanto-me a aplaudir o criador do animal (pesquisai por H.R. Giger). E de realçar que o raio do Alien cresce como o caralho em pouco tempo. Começa por ser do tamanho de um chihuahua para depois, em poucas horas ser maior que um humano.


A partir daqui é a recompensa total pelo ritmo mais lento da primeira parte.  A edição especial do filme, alterada para DVD e Bluray, tem umas cenas diferentes, como por exemplo na morte do Parker (Yaphet Kotto). Aqui morre junto da Lambert (Veronica Cartwright).
Lá pelo meio anda um gato, só para provocar uns sustos. Mas que raio anda um gato a fazer numa nave, numa missão pelo Espaço? 

Em jeito de conclusão, continua a ser um filme que me arrepia a espinha. Aquele ambiente claustrofóbico é medonho, no bom sentido. A Ripley começa por ser apenas mais uma para se ir destacando e ser a única (com o gato) a sobreviver.

ALIENS - O RE(E)CONTRO FINAL (1986)


Afinal, o título português é "Reecontro" ou "Recontro"? É que já vi as duas terminologias.

Só agora é que me dei conta que a separar este filme do primeiro estão 7 anos. Não deixa de ser muito tempo entre sequelas. 
E o que faz James Cameron nesta sequela? Sempre ouvi dizer que em equipa que ganha não se mexe. Pois, mas aqui o Cameron manda tudo às urtigas e faz algo completamente refrescante. Se no primeiro filme tínhamos terror puro e "claustrofobia", aqui isso é substituído por algum terror e acção pura e dura. 
Ripley andou à deriva nos espaço mais de 50 anos, e este filme começa com o seu resgate. Aqui ela é o centro das atenções. 
Bem, uma palavra que define este filme, e creio que é o termo técnico para isso: BADASS. Mas isso é uma coisa que define grande parte dos filmes de James Cameron. Isso e ............................ Bill Paxton. O gajo deve fazer uns broches muito bons ao Cameron para poder entrar em quase todos os grandes filmes dele: The Terminator (check), Aliens (check), True Lies (check), Titanic (check), Ghosts of the Abyss (check). No entanto, convenhamos que o gajo está impecável neste filme.
Sobre o elenco deste filme, o que podemos dizer é que é tão anos 80. Michael Biehn, Paul Reiser, Lance Henriksen... só estes três nomes são sinónimo de "eighties". E Paul Reiser é aquele gajo com ar de quem não faz mal a uma mosca e no fim acaba por ser o cabrão lá do sítio. Manipulador, ambicioso, que vê nisto tudo oportunidade de fazer cifrões. Depois temos os Marines, e aqui destaque para o Sargento Apone (Al Matthews), que é o típico chefe de pelotão de charuto na boca e que grita e fala mal com os seus soldados. Dentro dos soldados destaque para a Vasquez (Jenette Goldstein) e o Hudson (Bill Paxton). A Vasquez é a cavalona macho-latina que mete medo a muitos homens mas tão cativante que torcemos sempre por ela. Antes de haver Michelle Rodriquez nestes papéis, existia uma Jenette. O Hudson é o gajo que entra em pânico e mais choramingas. Acaba por ser o mais realista. Por muito machões que possam ser, se víssemos dezenas daqueles bichos a dizimar a nossa equipa, também acho que choramingávamos um bocadinho.
Dentro daquele grupo de personagens cheios de testosterona e vontade de matar aliens, a mais inteligente acaba por ser a Newt, a miúda que anda por lá. Como é que ela se safa dos bichos: a fugir e a esconder, que é o que se deve fazer quando encontramos um Alien.
Esta edição especial é mais completa... acrescenta umas cenas descartáveis mas interessantes, nomeadamente com a família da miúda quando encontram os monstros.
Depois há cenas que continuam icónicas ainda hoje: ver o alien a rasgar o Bishop ao meio é sempre bonito. A cena do "sacrifício" da Vasquez que se faz explodir quando vê que não consegue escapar. A miúda no esgoto e ver o alien surgir em silêncio por trás dela ainda me arrepia. E claro, ver Ripley a proferir as míticas palavras: Get away from her, you bitch.
No geral, este é um filmaço 5 estrelas. Não consigo apontar um defeito que seja. Tem personagens com as quais simpatizamos, outras que gostamos de odiar. Interpretações impecáveis. A própria Sigourney Weaver foi nomeada ao Óscar de melhor actriz. Tem acção e suspense.. tudo isso muito bem realizado.
Um daqueles clássicos que quando perguntamos quais os melhores filmes de acção/ sci fi, este vem sempre à baila como exemplo máximo disso.

ALIEN 3 - A DESFORRA (1992)


Novo filme da saga, novo realizador. Desta vez, os estúdios deveriam querer ser eles a realizar, então vão buscar alguém que nunca tinha realizado um filme. Um novato, vindo dos telediscos da Madonna. O bode expiatório foi David Fincher. Quando uma década depois da estreia deste Alien 3 fizeram a box-set com as director's cut dos 4 filmes, o gajo não quis ter nada a ver com isso. Então fizeram aquilo a que chamaram Assembly Cut. No geral é o mesmo filme mas completamente diferente. Ou seja, nem a versão de cinema, nem esta edição especial é a visão que o Fincher queria dar ao filme.
Bem, a principal diferença entre as duas versões do filme é o tom ou temática. Nesta assembly cut, a religião está muito mais presente, e isso sente-se nas personagens e no ambiente criado (veja-se a banda-sonora).
Depois alteraram completamente algumas cenas. E há vários exemplos claros disso. A começar logo na cena inicial. O filme passa-se todo num planeta que é uma prisão e refinaria. Enquanto que no original, a Ripley era encontrada na nave (onde terminou o segundo filme), aqui é encontrada numa praia desse planeta. Não percebi a razão dessa alteração. Todo o início do filme é diferente.
A famosa cena do alien a sair do cão foi também ela substituída. Não percebi se foi por ser um cão, que normalmente é fofo e não podemos ferir susceptibilidades das pessoas. Também pode estar relacionado com o tamanho. É mais credível um alien sair de um animal grande como um búfalo (pelo menos acho que era um búfalo) do que um cão. E ninguém tem pena de búfalos. Aliás, devem fazer bons bifes.
Bem, este filme pretende voltar às origens. Se no filme anterior existiam dezenas e dezenas de aliens, aqui voltamos a ter só um, num espaço fechado com uns prisioneiros lá dentro. E eu gosto disso. Como existem 25 prisioneiros, e cada um pior que o outro, não nos importamos que sejam comidos, trucidados, degolados por um alien. São a típica carne para canhão.
Mas este filme tem elementos novos. A  certa altura, o alien encurrala a Ripley, no entanto não a mata. A partir daqui sabemos que algo não está bem e que ela deve estar "prenha" de um bicho daqueles.
No geral, prefiro esta assembly cut à versão do cinema (que vi vezes sem conta). Acontece que nesta versão há mais daquilo a que os anglófonos chamam de character development. Temos uma percepção maior das motivações das personagens o que nos ajuda a perceber algumas decisões tomadas. Ficamos por exemplo a saber por que razão o gajo maluquinho (que a certa altura solta o alien que estava preso) é tão odiado pelos parceiros na prisão. E isso é positivo.
Como a temática do filme é mais religiosa, o personagem do Dillon (Charles S. Dutton) ganha importância. O gajo é um prisioneiro mas ao mesmo tempo uma espécie pastor daquele grupo que segue uma crença que se pode dizer que é um Cristianismo Apocalíptico.
(Aquele CGI nos aliens podia ser trabalhado ou substituído por um efeito prático.)


ALIEN: O REGRESSO (1997)


Este quarto e último filme (para já) da saga tem um lugar especial no meu coração de amante de cinema pop. É que foi o único filme do Alien que vi no cinema. E foi nesta altura em que comecei a ir ao cinema regularmente. A mesada servia para isso. Normalmente ia às matinés do Casino Figueira. E foi lá que vi este filme. Claro que nesta altura já tinha visto os três anteriores muitas vezes. E sim, mesmo sendo o mais fraco dos 4, eu gosto bastante do que Jeunet fez aqui. Nos anos 90 eu não percebia muito de cinema (ainda hoje percebo pouco), mas agora ao rever o filme, vejo que talvez tenham ido longe demais. Acho que esticaram a corda um pouquinho a mais. A começar logo pela premissa. Ora, os gajos tinham a Sigourney Weaver disponível para fazer o filme, mesmo que a personagem dela tenha morrido no filme anterior. Aliás, não só tinha morrido como morreu de uma forma que o corpo dela desapareceu na totalidade, derretido numa fornalha. Mas lá arranjaram uma solução e venha de lá esse clone. E não é um clone qualquer. Além do ADN da Ripley, isso vem misturado com o ADN do bicho e pumba, Ripley (ou Número 8 - podia ser uma alusão ao Oitavo Passageiro) está viva outra vez, e com força sobre-humana, sangue misturado com ácido. Isto assim pode parecer ridículo (e se calhar é), mas na altura engoli aquilo tudo sem me importar (inserir piada brejeira com a utilização da expressão "engoli tudo"). A juntar a isto, a empresa que a clonou está a domesticar Aliens. Ou pelo menos a tentar. Por isso, se acharam parvo os gajos do Jurassic World domesticarem Velociraptors, pensem que eles não foram pioneiros nessas más ideias.
Pensem que este filme foi escrito pelo Joss Whedon, e este gajo é capaz do melhor (Buffy, Toy Story, etc) e do pior (The Avengers).
Ainda assim, este filme tem várias cenas memoráveis: um alien a matar outro alien para com o sangue (ácido) deste poder escapar-se. Todas as cenas do Ron Perlman (aquela em que numa escada, baixa-se e com duas pistolas dispara contra o alien que os persegue). A cena debaixo de água está um espectáculo de tão bem filmada que está.
Só que para cada uma destas cenas boas, há outras que são no mínimo constrangedoras. É o caso de uma cena em que a Ripley contracena com um dos monstros, e esse monstro faz uma "cara" em que quase chegamos a ter pena dele. 
É um filme que se nota claramente que é do Jean Pierre Jeunet. Aqueles planos em close-up das caras dos personagens, a fotografia meio escura, ou seja, toda a cinematografia é imagem de marca do Jeunet. E quem conhece alguns dos filmes dele, nota logo isso (Delicatessen, Micmacs, A Cidade das Crianças Perdidas, etc).
O filme acaba na Terra, num futuro pós-apocalíptico com a Torre Eiffel destruída em pano de fundo. E quem sobrevive no filme: 1 clone, um aleijado de cadeira de rodas, 1 robot....... e 1 Ron Perlman
(Sou só eu a achar que Ron Perlman deveria entrar em TODOS os filmes?) 

Nota final: Depois destes 4 filmes, ainda saíram mais filmes com o Alien: dois filmes do Alien Vs Predator (o segundo faz o primeiro parecer muito bom), e um Prometheus, que como já disse, é um saco de fezes. Entretanto, daqui a uns meses estreia Alien: Covenant.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

PATRIOTS DAY (2016)


Já todos sabemos que vivemos numa era das redes sociais. Todos temos opiniões que partilhamos por esses facebooks fora, e na maioria das vezes são opiniões sem fundamento nenhum. Todos somos donos da verdade. Seja a discutir futebol, touradas, refugiados, atentados, etc. 
O terrorismo internacional é uma realidade. Já percebemos isso. Todos os dias existem atentados por esse mundo fora. Todos os dias morre gente na Síria, África, Conchichina, vítimas de um atentado suicida/ homicida. E, nós, vamos vivendo a nossa vida com os nossos problemazinhos. Aqui na Tugalândia não é diferente. Há crimes todos os dias (obrigado CMTV - LIXO - por nos mostrarem imagens violentas em loop à hora de almoço); políticos que nos roubam; discussões infinitas sobre "futebol" (onde se discute tudo menos futebol); etc etc... Na nossa província não existem propriamente aqueles atentados terroristas, como em França, EUA, Espanha, Inglaterra, Alemanha, etc. Queremos tanto fazer parte deste círculo, que quando alguém perde uma mochila cheia de roupa numa paragem de autocarro, as televisões fazem directos de horas a fio com a polícia a "desarmar" essas bombas. Enfim... Claro que quando acontece um atentado num país ocidental apressamo-nos a ir partilhar a nossa "dor" no Facebook. Porque "sentimos" essa coisinha que é: "olhem para mim tão importante que me importo com aquelas vítimas desses atentados". Claro que 24 horas depois já nem sabemos o que aconteceu. Joga o Benfica e a minha "dor" por essas vítimas já passou. Estou a cagar-me para essas pessoas. O meu clube foi roubado, por isso deixa-me espalhar a minha dor e a minha raiva. 
O que se passou em Abril de 2013 em Boston, durante a Maratona, foi mais um desses episódios que serviu para nós "chorarmos" as vítimas desses atentados com um post no Facebook, Twitter e afins. E se para nós foi só mais um episódio, para o povo americano no geral e da cidade em particular, foi um dia negro. 
Peter Berg anda a especializar-se em filmes que retratam eventos históricos recentes. Depois do Lone Survivor e de Deepwater Horizon, o realizador volta a juntar-se a Mark Wahlberg. Neste Patriots Day, testemunhamos o atentado em si e toda a caça ao homem nos dias que se seguiram. 
Este filme corria o risco de ser visto como uma espécie de aproveitamento do sofrimento alheio, digno de um tabloid. Acontece que é feito com tanta classe e bom gosto (à falta de melhor expressão) que não nos importamos com isso. Aliás, acho que é uma bela homenagem à cidade de Boston e suas gentes. 
Filmado um pouco ao estilo daquilo que o Paul Greengrass tinha feito com o United 93, vamos acompanhando os passos da polícia e dos dois irmãos terroristas. Há cenas cheias de tensão. Um exemplo disso é a cena em que um asiático é raptado pelos irmão em fuga. A música que acompanha deixa-nos com os nervos à flor da pele. 
E se há cenas tensas, há também esperança demonstrada ao longo do filme. É que sabemos que estamos a ser manipulados, até porque cinema é isso mesmo: manipulação. Mas aqui não nos importamos com isso. 


Em jeito de conclusão, trata-se de um filme claramente patriota (olhem para o título...) e que homenageia a polícia e as pessoas que ajudaram e sofreram com o atentado. Acaba por mostrar que as pessoas não são só merda. O ser humano acaba por ter coisas boas e é isso que se pretende mostrar no filme. A cena final com todos os testemunhos acaba por servir como homenagem a essas mesmas pessoas. E finalmente, os actores/ personagens, que não nos parecem personagens. São pessoas reais e é isso que é transmitido. 
Mark Wahlberg está impecável, mas gostava de ter visto mais de Kevin Bacon ou John Goodman. Mas isso acaba por não ser um grande mal, pois aqui o que importa é o evento e não tanto as pessoas no particular. 

Para mim, um dos melhores filmes de 2016.  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

JEEPERS CREEPERS (2001/ 2003)


JEEPERS CREEPERS (2001)

Os anos 70 apresentaram o Michael Myers e Leatherface; nos anos 80 tivemos Freddy Krueger e Jason Voorhees; nos anos 90 apareceu Ghostface; no novo século há falta de um bom slasher à moda antiga. Daqueles feitos só para esventrar adolescentes impuros. Tentaram refazer Halloween, Friday the 13th ou Nightmare on Elm Street (etc) e o resultado foi quase sempre mau. Mas e se aparecesse alguma coisa nova e original. 
Acontece que estas dezenas de remakes de filmes de terror surgiram depois de aparecer algo refrescante neste panorama, porque não teve o sucesso que deveria ter. Esse refresco no cinema de terror slasher foi Jeepers Creepers. Um filme que, não sendo a última Coca-Cola do deserto, sempre era algo diferente. Este filme apresentou-nos esse vilão que é conhecido como o The Creeper. Uma criatura que está hibernada e que acorda todos os 23 anos, durante 23 dias, para se alimentar de humanos. 
O filme começa com um rapaz e uma rapariga de carro a viajar. Curiosamente esses dois não eram namorados mas irmão, logo já sabemos que não irá haver sexo no filme. O que não deixa de ser original. Nessa cena inicial, os dois vão a ter conversas triviais quando são perseguidos por um camião. Começa-se logo a sentir uma tensão que vai em crescendo até meio do filme. Depois de serem perseguidos, vêm mais à frente o dono do camião a despejar uns corpos num buraco. Como é normal, em vez de irem à polícia, vão investigar para ver se há sobreviventes. Essa decisão até é bem explicada no filme. Depois vão até à civilização mais próxima, a um café cheio de campónios, buscar ajuda. E partir daqui o filme muda o tom. Até esta altura era um filme de terror puro, cheio de tensão no ar. Depois vira e é mais um filme típico slasher e que acaba por ser mais "divertido". O que se for bem feito, nem é obrigatoriamente mau. Continuam a existir alguns clichés de filmes deste género: telemóvel que fica sem bateria e um carro que tem problemas em arrancar. 
Confesso que não gostei da personagem que é médium, e que de alguma forma prevê o futuro. Achei completamente desenquadrado. Na sequela foram buscar a mesma ferramenta mas com outra personagem. 
Gostei do filme. A figura do The Creeper é cativante e toda a sua mitologia é boa o suficiente para fazer bons filmes do género. 


JEEPERS CREEPERS 2 (2003)

A sequela volta a pegar no The Creeper, uns dias depois dos eventos do filme original, e mete-o em busca de uns adolescentes que seguem num autocarro. Grande parte do filme passa-se nesse autocarro, mas tenho de destacar a cena inicial no milheiral. 
O filme não traz nada de novo ao género mas é divertido o suficiente, com algumas cenas muito boas, pelo que não damos pelo nosso tempo perdido.

Parece que andam a pensar num terceiro filme. Por mim, venha ele, se bem que queria um filme mais parecido com a primeira parte do primeiro filme. E isso é possível.