quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ALIEN (1979; 1986; 1992; 1997)


IN SPACE NO ONE CAN HEAR YOU SCREAM

Começar um texto sobre a saga Alien com a sua famosa tagline deve ser do mais cliché que existe. Como sou desses tipos clichés, sigo essa moda.

Um gajo como eu, que nasceu no início dos anos 80, e que só começou a ver filmes para adultos (de todo o género) no início dos 90, só teve a possibilidade de ver a saga Alien em casa, numa televisão Sony Black Trinitron. Nomeadamente os 3 primeiros filmes, cujas cassetes VHS (que já não existem) foram passadas vezes sem conta. Era uma altura em que víamos os filmes repetidamente. E nós não éramos esquisitos. Víamos toda a merda que aparecia: boa ou má. No entanto, sabíamos reconhecer o que era bom e o que era mau. Quando hoje em dia, vejo adultos que dizem que as Sombras de Grey é um grande filme, dá-me logo uma comichão no cérebro. Eu sei que cada um tem a sua opinião e temos de respeitar. Eu sei disso tudo... mas isso não me impede de achar que uma pessoa que vê qualidades cinematográficas nesse pedaço de bosta, tenha apenas um neurónio e mal utilizado. 
Bem, mas estou a desviar-me do que me trouxe aqui hoje. O que me traz aqui é essa saga de terror/ ficção científica/ acção, que é ALIEN. São quatro filmes. Todos eles muito diferentes uns dos outros. Vamos esquecer esse bocado de merda (não posso utilizar a palavra "bosta" outra vez... questões de repetição) que foi Prometeus, aquele que considero a minha maior desilusão ao nível do cinema. 
Vem agora piada fácil e batida: Prometeus prometeu mas não cumpriu. Uma espécie de derivação filosófica sobre a origem da vida e não sei mais o quê. Não é muito difícil fazer um filme Alien

1 ou mais bichos + grupo de humanos e um robot = chacina. 

Claro que depois podemos acrescentar alguns elementos sobre quem são realmente os monstros. É que os humanos podem ser ainda mais vis que os aliens.

Mas dizia eu que a saga era então composta por 4 filmes: 2 excelentes e 2 não tão excelentes. Dentro dos excelentes (primeiro e segundo), houve um crítico americano que dizia (não me recordo quem) algo muito interessante: o ser-humano pode distinguir-se em dois tipos - os que preferem o filme do Ridley Scott e os outros que preferem o do James Cameron. Mas o que temos nesta saga são quatro realizadores, cada um com a sua visão deste universo. No caso do David Fincher foi mais uma visão dos estúdios do que propriamente e dele. 

Mas vamos lá rever o que cada um significou para mim. É possível que haja SPOILERS, mas estou-me a cagar. Isto são filmes que têm entre 20 e 40 anos.
(NB - serão abordadas as edições especiais, ou director's cut. No caso do terceiro filme, chama-se assembly cut pois o realizador não quis ter nada com isso.)

ALIEN - O OITAVO PASSAGEIRO (1979)


Uma coisa que destaco neste filme é o ritmo, nomeadamente da primeira parte. Os primeiros 6 minutos são gastos nos créditos e "apresentação" da nave Nostromo. A tripulação está em sono criogénico e só acorda aos 6 minutos. Está criado o ambiente. O Ridley Scott a mostrar que não tem medo de levar o seu tempo. Hoje em dia, onde tudo tem de ser imediato, seria praticamente impossível fazer um filme assim. 
Depois de acordarem, vemos conversas triviais de uma tripulação adulta. Uns falam de dinheiro e bónus que querem receber. Outros mostram ansiedade para voltar a casa. E lá entre os sete passageiros está a Ripley. Aqui é só mais uma. Não tem nem mais nem menos destaque em relação aos outros.
A tripulação recebe ordens para ir investigar um planeta, aparentemente desabitado. E é aí que o Kane (John Hurt) descobre uma série de ovos. Só passada mais de meia hora de filme é que se dá o episódio com o facehugger (termo usado ao longo dos filmes para definir o bicho que se agarra à cara das pessoas). Kane é então atacado e é levado de volta para a Nostromo. Aqui vamos perceber quem é o filho da puta da tripulação. Há sempre um. Neste caso é Ash (Ian Holm), o gajo da ciência. À força de querer saber que bicho é aquele que Ash traz no focinho, põe em perigo toda a tripulação, desrespeitando as regras da nave. Acontece que depois o facehugger despega-se da cara do Kane e tudo corre bem. Até que.......... numa cena banal em que estão todos à mesa em amena cavaqueira, Kane começa a sentir-se mal e pumba...... ainda hoje essa cena me arrepia. O alien, o oitavo passageiro (se excluirmos o gato) sai pelo peito do pobre coitado e desaparece. 
Um mecanismo encontrado para não utilizarem armas neste filme: o raio do bicho tem ácido em vez de sangue. Foi uma bela forma de impedir o uso de armas que poderia facilitar o desenlace. Assim torna o bicho ainda mais aterrador do que já é. E o cabrão do Alien é mesmo aterrador. Levanto-me a aplaudir o criador do animal (pesquisai por H.R. Giger). E de realçar que o raio do Alien cresce como o caralho em pouco tempo. Começa por ser do tamanho de um chihuahua para depois, em poucas horas ser maior que um humano.


A partir daqui é a recompensa total pelo ritmo mais lento da primeira parte.  A edição especial do filme, alterada para DVD e Bluray, tem umas cenas diferentes, como por exemplo na morte do Parker (Yaphet Kotto). Aqui morre junto da Lambert (Veronica Cartwright).
Lá pelo meio anda um gato, só para provocar uns sustos. Mas que raio anda um gato a fazer numa nave, numa missão pelo Espaço? 

Em jeito de conclusão, continua a ser um filme que me arrepia a espinha. Aquele ambiente claustrofóbico é medonho, no bom sentido. A Ripley começa por ser apenas mais uma para se ir destacando e ser a única (com o gato) a sobreviver.

ALIENS - O RE(E)CONTRO FINAL (1986)


Afinal, o título português é "Reecontro" ou "Recontro"? É que já vi as duas terminologias.

Só agora é que me dei conta que a separar este filme do primeiro estão 7 anos. Não deixa de ser muito tempo entre sequelas. 
E o que faz James Cameron nesta sequela? Sempre ouvi dizer que em equipa que ganha não se mexe. Pois, mas aqui o Cameron manda tudo às urtigas e faz algo completamente refrescante. Se no primeiro filme tínhamos terror puro e "claustrofobia", aqui isso é substituído por algum terror e acção pura e dura. 
Ripley andou à deriva nos espaço mais de 50 anos, e este filme começa com o seu resgate. Aqui ela é o centro das atenções. 
Bem, uma palavra que define este filme, e creio que é o termo técnico para isso: BADASS. Mas isso é uma coisa que define grande parte dos filmes de James Cameron. Isso e ............................ Bill Paxton. O gajo deve fazer uns broches muito bons ao Cameron para poder entrar em quase todos os grandes filmes dele: The Terminator (check), Aliens (check), True Lies (check), Titanic (check), Ghosts of the Abyss (check). No entanto, convenhamos que o gajo está impecável neste filme.
Sobre o elenco deste filme, o que podemos dizer é que é tão anos 80. Michael Biehn, Paul Reiser, Lance Henriksen... só estes três nomes são sinónimo de "eighties". E Paul Reiser é aquele gajo com ar de quem não faz mal a uma mosca e no fim acaba por ser o cabrão lá do sítio. Manipulador, ambicioso, que vê nisto tudo oportunidade de fazer cifrões. Depois temos os Marines, e aqui destaque para o Sargento Apone (Al Matthews), que é o típico chefe de pelotão de charuto na boca e que grita e fala mal com os seus soldados. Dentro dos soldados destaque para a Vasquez (Jenette Goldstein) e o Hudson (Bill Paxton). A Vasquez é a cavalona macho-latina que mete medo a muitos homens mas tão cativante que torcemos sempre por ela. Antes de haver Michelle Rodriquez nestes papéis, existia uma Jenette. O Hudson é o gajo que entra em pânico e mais choramingas. Acaba por ser o mais realista. Por muito machões que possam ser, se víssemos dezenas daqueles bichos a dizimar a nossa equipa, também acho que choramingávamos um bocadinho.
Dentro daquele grupo de personagens cheios de testosterona e vontade de matar aliens, a mais inteligente acaba por ser a Newt, a miúda que anda por lá. Como é que ela se safa dos bichos: a fugir e a esconder, que é o que se deve fazer quando encontramos um Alien.
Esta edição especial é mais completa... acrescenta umas cenas descartáveis mas interessantes, nomeadamente com a família da miúda quando encontram os monstros.
Depois há cenas que continuam icónicas ainda hoje: ver o alien a rasgar o Bishop ao meio é sempre bonito. A cena do "sacrifício" da Vasquez que se faz explodir quando vê que não consegue escapar. A miúda no esgoto e ver o alien surgir em silêncio por trás dela ainda me arrepia. E claro, ver Ripley a proferir as míticas palavras: Get away from her, you bitch.
No geral, este é um filmaço 5 estrelas. Não consigo apontar um defeito que seja. Tem personagens com as quais simpatizamos, outras que gostamos de odiar. Interpretações impecáveis. A própria Sigourney Weaver foi nomeada ao Óscar de melhor actriz. Tem acção e suspense.. tudo isso muito bem realizado.
Um daqueles clássicos que quando perguntamos quais os melhores filmes de acção/ sci fi, este vem sempre à baila como exemplo máximo disso.

ALIEN 3 - A DESFORRA (1992)


Novo filme da saga, novo realizador. Desta vez, os estúdios deveriam querer ser eles a realizar, então vão buscar alguém que nunca tinha realizado um filme. Um novato, vindo dos telediscos da Madonna. O bode expiatório foi David Fincher. Quando uma década depois da estreia deste Alien 3 fizeram a box-set com as director's cut dos 4 filmes, o gajo não quis ter nada a ver com isso. Então fizeram aquilo a que chamaram Assembly Cut. No geral é o mesmo filme mas completamente diferente. Ou seja, nem a versão de cinema, nem esta edição especial é a visão que o Fincher queria dar ao filme.
Bem, a principal diferença entre as duas versões do filme é o tom ou temática. Nesta assembly cut, a religião está muito mais presente, e isso sente-se nas personagens e no ambiente criado (veja-se a banda-sonora).
Depois alteraram completamente algumas cenas. E há vários exemplos claros disso. A começar logo na cena inicial. O filme passa-se todo num planeta que é uma prisão e refinaria. Enquanto que no original, a Ripley era encontrada na nave (onde terminou o segundo filme), aqui é encontrada numa praia desse planeta. Não percebi a razão dessa alteração. Todo o início do filme é diferente.
A famosa cena do alien a sair do cão foi também ela substituída. Não percebi se foi por ser um cão, que normalmente é fofo e não podemos ferir susceptibilidades das pessoas. Também pode estar relacionado com o tamanho. É mais credível um alien sair de um animal grande como um búfalo (pelo menos acho que era um búfalo) do que um cão. E ninguém tem pena de búfalos. Aliás, devem fazer bons bifes.
Bem, este filme pretende voltar às origens. Se no filme anterior existiam dezenas e dezenas de aliens, aqui voltamos a ter só um, num espaço fechado com uns prisioneiros lá dentro. E eu gosto disso. Como existem 25 prisioneiros, e cada um pior que o outro, não nos importamos que sejam comidos, trucidados, degolados por um alien. São a típica carne para canhão.
Mas este filme tem elementos novos. A  certa altura, o alien encurrala a Ripley, no entanto não a mata. A partir daqui sabemos que algo não está bem e que ela deve estar "prenha" de um bicho daqueles.
No geral, prefiro esta assembly cut à versão do cinema (que vi vezes sem conta). Acontece que nesta versão há mais daquilo a que os anglófonos chamam de character development. Temos uma percepção maior das motivações das personagens o que nos ajuda a perceber algumas decisões tomadas. Ficamos por exemplo a saber por que razão o gajo maluquinho (que a certa altura solta o alien que estava preso) é tão odiado pelos parceiros na prisão. E isso é positivo.
Como a temática do filme é mais religiosa, o personagem do Dillon (Charles S. Dutton) ganha importância. O gajo é um prisioneiro mas ao mesmo tempo uma espécie pastor daquele grupo que segue uma crença que se pode dizer que é um Cristianismo Apocalíptico.
(Aquele CGI nos aliens podia ser trabalhado ou substituído por um efeito prático.)


ALIEN: O REGRESSO (1997)


Este quarto e último filme (para já) da saga tem um lugar especial no meu coração de amante de cinema pop. É que foi o único filme do Alien que vi no cinema. E foi nesta altura em que comecei a ir ao cinema regularmente. A mesada servia para isso. Normalmente ia às matinés do Casino Figueira. E foi lá que vi este filme. Claro que nesta altura já tinha visto os três anteriores muitas vezes. E sim, mesmo sendo o mais fraco dos 4, eu gosto bastante do que Jeunet fez aqui. Nos anos 90 eu não percebia muito de cinema (ainda hoje percebo pouco), mas agora ao rever o filme, vejo que talvez tenham ido longe demais. Acho que esticaram a corda um pouquinho a mais. A começar logo pela premissa. Ora, os gajos tinham a Sigourney Weaver disponível para fazer o filme, mesmo que a personagem dela tenha morrido no filme anterior. Aliás, não só tinha morrido como morreu de uma forma que o corpo dela desapareceu na totalidade, derretido numa fornalha. Mas lá arranjaram uma solução e venha de lá esse clone. E não é um clone qualquer. Além do ADN da Ripley, isso vem misturado com o ADN do bicho e pumba, Ripley (ou Número 8 - podia ser uma alusão ao Oitavo Passageiro) está viva outra vez, e com força sobre-humana, sangue misturado com ácido. Isto assim pode parecer ridículo (e se calhar é), mas na altura engoli aquilo tudo sem me importar (inserir piada brejeira com a utilização da expressão "engoli tudo"). A juntar a isto, a empresa que a clonou está a domesticar Aliens. Ou pelo menos a tentar. Por isso, se acharam parvo os gajos do Jurassic World domesticarem Velociraptors, pensem que eles não foram pioneiros nessas más ideias.
Pensem que este filme foi escrito pelo Joss Whedon, e este gajo é capaz do melhor (Buffy, Toy Story, etc) e do pior (The Avengers).
Ainda assim, este filme tem várias cenas memoráveis: um alien a matar outro alien para com o sangue (ácido) deste poder escapar-se. Todas as cenas do Ron Perlman (aquela em que numa escada, baixa-se e com duas pistolas dispara contra o alien que os persegue). A cena debaixo de água está um espectáculo de tão bem filmada que está.
Só que para cada uma destas cenas boas, há outras que são no mínimo constrangedoras. É o caso de uma cena em que a Ripley contracena com um dos monstros, e esse monstro faz uma "cara" em que quase chegamos a ter pena dele. 
É um filme que se nota claramente que é do Jean Pierre Jeunet. Aqueles planos em close-up das caras dos personagens, a fotografia meio escura, ou seja, toda a cinematografia é imagem de marca do Jeunet. E quem conhece alguns dos filmes dele, nota logo isso (Delicatessen, Micmacs, A Cidade das Crianças Perdidas, etc).
O filme acaba na Terra, num futuro pós-apocalíptico com a Torre Eiffel destruída em pano de fundo. E quem sobrevive no filme: 1 clone, um aleijado de cadeira de rodas, 1 robot....... e 1 Ron Perlman
(Sou só eu a achar que Ron Perlman deveria entrar em TODOS os filmes?) 

Nota final: Depois destes 4 filmes, ainda saíram mais filmes com o Alien: dois filmes do Alien Vs Predator (o segundo faz o primeiro parecer muito bom), e um Prometheus, que como já disse, é um saco de fezes. Entretanto, daqui a uns meses estreia Alien: Covenant.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

PATRIOTS DAY (2016)


Já todos sabemos que vivemos numa era das redes sociais. Todos temos opiniões que partilhamos por esses facebooks fora, e na maioria das vezes são opiniões sem fundamento nenhum. Todos somos donos da verdade. Seja a discutir futebol, touradas, refugiados, atentados, etc. 
O terrorismo internacional é uma realidade. Já percebemos isso. Todos os dias existem atentados por esse mundo fora. Todos os dias morre gente na Síria, África, Conchichina, vítimas de um atentado suicida/ homicida. E, nós, vamos vivendo a nossa vida com os nossos problemazinhos. Aqui na Tugalândia não é diferente. Há crimes todos os dias (obrigado CMTV - LIXO - por nos mostrarem imagens violentas em loop à hora de almoço); políticos que nos roubam; discussões infinitas sobre "futebol" (onde se discute tudo menos futebol); etc etc... Na nossa província não existem propriamente aqueles atentados terroristas, como em França, EUA, Espanha, Inglaterra, Alemanha, etc. Queremos tanto fazer parte deste círculo, que quando alguém perde uma mochila cheia de roupa numa paragem de autocarro, as televisões fazem directos de horas a fio com a polícia a "desarmar" essas bombas. Enfim... Claro que quando acontece um atentado num país ocidental apressamo-nos a ir partilhar a nossa "dor" no Facebook. Porque "sentimos" essa coisinha que é: "olhem para mim tão importante que me importo com aquelas vítimas desses atentados". Claro que 24 horas depois já nem sabemos o que aconteceu. Joga o Benfica e a minha "dor" por essas vítimas já passou. Estou a cagar-me para essas pessoas. O meu clube foi roubado, por isso deixa-me espalhar a minha dor e a minha raiva. 
O que se passou em Abril de 2013 em Boston, durante a Maratona, foi mais um desses episódios que serviu para nós "chorarmos" as vítimas desses atentados com um post no Facebook, Twitter e afins. E se para nós foi só mais um episódio, para o povo americano no geral e da cidade em particular, foi um dia negro. 
Peter Berg anda a especializar-se em filmes que retratam eventos históricos recentes. Depois do Lone Survivor e de Deepwater Horizon, o realizador volta a juntar-se a Mark Wahlberg. Neste Patriots Day, testemunhamos o atentado em si e toda a caça ao homem nos dias que se seguiram. 
Este filme corria o risco de ser visto como uma espécie de aproveitamento do sofrimento alheio, digno de um tabloid. Acontece que é feito com tanta classe e bom gosto (à falta de melhor expressão) que não nos importamos com isso. Aliás, acho que é uma bela homenagem à cidade de Boston e suas gentes. 
Filmado um pouco ao estilo daquilo que o Paul Greengrass tinha feito com o United 93, vamos acompanhando os passos da polícia e dos dois irmãos terroristas. Há cenas cheias de tensão. Um exemplo disso é a cena em que um asiático é raptado pelos irmão em fuga. A música que acompanha deixa-nos com os nervos à flor da pele. 
E se há cenas tensas, há também esperança demonstrada ao longo do filme. É que sabemos que estamos a ser manipulados, até porque cinema é isso mesmo: manipulação. Mas aqui não nos importamos com isso. 


Em jeito de conclusão, trata-se de um filme claramente patriota (olhem para o título...) e que homenageia a polícia e as pessoas que ajudaram e sofreram com o atentado. Acaba por mostrar que as pessoas não são só merda. O ser humano acaba por ter coisas boas e é isso que se pretende mostrar no filme. A cena final com todos os testemunhos acaba por servir como homenagem a essas mesmas pessoas. E finalmente, os actores/ personagens, que não nos parecem personagens. São pessoas reais e é isso que é transmitido. 
Mark Wahlberg está impecável, mas gostava de ter visto mais de Kevin Bacon ou John Goodman. Mas isso acaba por não ser um grande mal, pois aqui o que importa é o evento e não tanto as pessoas no particular. 

Para mim, um dos melhores filmes de 2016.  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

JEEPERS CREEPERS (2001/ 2003)


JEEPERS CREEPERS (2001)

Os anos 70 apresentaram o Michael Myers e Leatherface; nos anos 80 tivemos Freddy Krueger e Jason Voorhees; nos anos 90 apareceu Ghostface; no novo século há falta de um bom slasher à moda antiga. Daqueles feitos só para esventrar adolescentes impuros. Tentaram refazer Halloween, Friday the 13th ou Nightmare on Elm Street (etc) e o resultado foi quase sempre mau. Mas e se aparecesse alguma coisa nova e original. 
Acontece que estas dezenas de remakes de filmes de terror surgiram depois de aparecer algo refrescante neste panorama, porque não teve o sucesso que deveria ter. Esse refresco no cinema de terror slasher foi Jeepers Creepers. Um filme que, não sendo a última Coca-Cola do deserto, sempre era algo diferente. Este filme apresentou-nos esse vilão que é conhecido como o The Creeper. Uma criatura que está hibernada e que acorda todos os 23 anos, durante 23 dias, para se alimentar de humanos. 
O filme começa com um rapaz e uma rapariga de carro a viajar. Curiosamente esses dois não eram namorados mas irmão, logo já sabemos que não irá haver sexo no filme. O que não deixa de ser original. Nessa cena inicial, os dois vão a ter conversas triviais quando são perseguidos por um camião. Começa-se logo a sentir uma tensão que vai em crescendo até meio do filme. Depois de serem perseguidos, vêm mais à frente o dono do camião a despejar uns corpos num buraco. Como é normal, em vez de irem à polícia, vão investigar para ver se há sobreviventes. Essa decisão até é bem explicada no filme. Depois vão até à civilização mais próxima, a um café cheio de campónios, buscar ajuda. E partir daqui o filme muda o tom. Até esta altura era um filme de terror puro, cheio de tensão no ar. Depois vira e é mais um filme típico slasher e que acaba por ser mais "divertido". O que se for bem feito, nem é obrigatoriamente mau. Continuam a existir alguns clichés de filmes deste género: telemóvel que fica sem bateria e um carro que tem problemas em arrancar. 
Confesso que não gostei da personagem que é médium, e que de alguma forma prevê o futuro. Achei completamente desenquadrado. Na sequela foram buscar a mesma ferramenta mas com outra personagem. 
Gostei do filme. A figura do The Creeper é cativante e toda a sua mitologia é boa o suficiente para fazer bons filmes do género. 


JEEPERS CREEPERS 2 (2003)

A sequela volta a pegar no The Creeper, uns dias depois dos eventos do filme original, e mete-o em busca de uns adolescentes que seguem num autocarro. Grande parte do filme passa-se nesse autocarro, mas tenho de destacar a cena inicial no milheiral. 
O filme não traz nada de novo ao género mas é divertido o suficiente, com algumas cenas muito boas, pelo que não damos pelo nosso tempo perdido.

Parece que andam a pensar num terceiro filme. Por mim, venha ele, se bem que queria um filme mais parecido com a primeira parte do primeiro filme. E isso é possível.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

SPLIT (2016)


Há uns meses apanhei um trailer de um filme que me pareceu interessante. Um tipo com múltiplas identidades que sequestrava 3 adolescentes. Era esse o ponto de partida. Acontece que esse filme era "o novo filme de Shyamalan". Pois, porque esse conceito de "o novo filme de Shyamalan" já foi algo visto como um acontecimento. Depois deu tantos tiros no pé, que perdeu a sua credibilidade.

Bem, antes de avançar com o filme propriamente dito, tenho de alertar para a possibilidade da existência de spoilers. Porque é muito complicado fazer uma reflexão sobre o filme e não revelar alguns pormenores da história.


Como tinha dito, aqui um homem (James McAvoy), que sofre de identidade múltipla, rapta 3 adolescentes. Dessas 3, uma é a protagonista (Anya Taylor-Joy) e só lá está por acidente. É ela que vamos conhecendo melhor, através de uns flashbacks. Já o raptor, vamos conhecendo alguns dos 23 alter-egos, e como ele se vai transformando. A psiquiatra fala mesmo em possíveis alterações físicas. Já ele vai referindo a chegada de um 24º alter-ego, que depois sabemos que é "The Beast".
O filme vai correndo como um filme de rapto "normal". Bom mas "normal".
Até que se dá a primeira revelação que é a chegada desse Beast. James McAvoy transforma-se num ser que trepa paredes, tem força sobre-humana, etc. E se para muitos, esta mudança tão abrupta (ainda que fossem dadas pistas nas consultas) poderá não cair bem, para outros é genial. E genial porque nos apercebemos que não estamos perante um thriller normal, mas num género diferente. Este parece ser um filme de super-heróis e vilões. Completamente atípico, mas dentro deste género. E a prova final disso dá-se mesmo no fim.


MEGA SPOILER da revelação final

Afinal, este filme passa-se todo no universo do Unbreakable, o filme que tinha Bruce Willis como super-herói e Samuel L. Jackson como vilão. E a cena da revelação pode deixar muitos fãs do filme histéricos de excitação. O que foi o meu caso. Mal começa a música que nos é familiar e reconhecemos de Unbreakable, conseguimos prever o que vai acontecer. E o cameo do Bruce Willis no finalzinho é tão bem encaixado. Claro que o espectador comum nem vai perceber a referência e o porquê de estar ali o Bruce Willis. O filme já tem mais de 15 anos e só totós como eu conseguem associar. Mas foi tão bom.

O filme tem depois cenas que são realmente boas, e tem no Hedwig (alter-ego criança) o comic-relief. Ver James McAvoy a dançar ao som de hip-hop é muito engraçado; e soltar a frase "You might be pregnant now" depois de beijar a raptada.

Bem, numa altura em que o cinema é povoado por filmes da Marvel e outros super-heróis, é bom ver algo refrescante no género. Sim, porque este filme serviu como "origin-story" de um vilão (The Beast), que espero ver enfrentar David Dunn (Bruce Willis) num filme futuro. Depois há mais questões lançadas para o futuro, nomeadamente o que acontecerá com a miúda. Porque eu quero voltar a vê-la. Por um lado pode vir a juntar-se a David Dunn na luta contra o mal, por outro, não ficaria descabido de todo se The Beast a recrutasse.
É um mar de oportunidades que espero que Shyamalan não desperdice.

Agora vou ter de rever este Split à procura de mais detalhes que me tenham escapado. Há ali muita coisa a perceber ainda.


TOP Shyamalan até ao momento:

1º Signs
1º The Sixth Sense
 Unbreakable
Split
5º The Visit
6º The Happening
7º The Village
8º The Last Airbender
9º Lady in the Water
10º After Earth

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

THE VISIT (2015)


SPOILERS

Há uma música do José Cid que começa assim: "Há muito muito tempo, era eu uma criança...". Pois este texto bem poderia começar assim. Em finais do século passado, um filme caiu que nem um estrondo nos cinemas de todo o mundo. Um gajo, que nunca ninguém tinha ouvido falar realizava um filme que ficou nas bocas do mundo por uma razão específica. Os twists voltaram a ser cool. O Sexto Sentido fez com que M. Night Shyamalan fosse um realizador a ter em conta. Shyamalan era o gajo da moda. "O novo Spielberg" era mesmo o seu nick-name. E o que é certo é que ainda esteve na ribalta com o próximo filme, o Unbreakable. Para mim ainda manteve o factor X no Signs e um bocado no The Village. A partir daí parece que o gajo foi substituído por uma pessoa com o mesmo nome. É que os filmes são uma merda a partir desses. Talvez se tenha vendido ao mercado. Há quem diga que nem foi ele que realizou (na prática) o After Earth
Enfim, tudo isto para chegar a este novo projecto. Shyamalan agarrou nos trocos que ganhou a fazer esses filmes de merda e criou de raiz um filme mais pessoal. Foi buscar actores desconhecidos do grande público e fez uma história mais pessoal sem as influências dos grandes estúdios.

A história é tão simples: dois irmãos vão visitar os avós que nunca tinham conhecido. Acontece que os avós são um pouco marados. E é isto. Claro que uma pessoa fica de pé atrás quando vê que o filme é em found-footage E sabemos que este estilo está actualmente em coma. Uma pessoa vê a merda que são todos os Paranormal Activity e fica com receio. Acontece que este The Visit é a prova que se pode fazer um filme neste estilo. Neste filme há uma razão específica para ser em found-footage. E temos a sensação que é mesmo a miúda que está a filmar. Não há banda-sonora a atrapalhar. Aquilo que se ouve é aquilo que se passa no filme.

SPOILERS

Voltando à história: dois irmãos vão visitar os avós. Durante a visita, a irmã quer filmar um documentário sobre essa visita. Quando conhecem os avós, estes têm apenas uma regra: uma espécie de recolher obrigatório às 21:30. Durante as noites coisas estranhas vão acontecendo. Os cotas desculpam-se com algum tipo de "disorder". Numa das noites, as coisas aquecem e os putos ficam com medo. Pedem à mãe para os ir buscar, quando durante a chamada por vídeo a mãe lhes diz que os velhos não são os avós. Quem serão aqueles psicopatas. Chegamos ao último acto, e quando parecia que as coisas poderiam ir para o sobrenatural (demónios na casa ou possuidores), eis que os velhos são mesmo só psicopatas e tentam matar os miúdos. Os putos safam-se. Fim de história.


Este filme é uma mistura de comédia com algum suspense. Em boa verdade nem sei em que género posso incluir o filme. Por um lado tem o miúdo que é uma espécie de comic-relief. E sejamos sinceros, o puto está impecável. Mas depois essa comédia é conjugada com o suspense que em tempos o Shyamalan nos habituou. 
O que temos aqui são 4 óptimos actores. E não é fácil pôr dois adolescentes a levar o filme às costas. Os velhos são mesmo "creepy". Muito bem filmado. História simples mas eficaz. 
Não será propriamente uma obra-prima, mas carago, para mim é caso para dizer: "Welcome back Mr Shyamalan".

(Originalmente publicado a 2/11/2015)

TOP Shyamalan até ao momento:

1º Signs
1º The Sixth Sense
 Unbreakable
The Visit
5º The Happening
6º The Village
7º The Last Airbender
8º Lady in the Water
9º After Earth

(Próximo filme: Split.)

AFTER EARTH (2013)


Não vou perder muito tempo com este filme. Já me bastou ter que o ver. Isso já foi castigo suficiente. Acontece que Shyamalan começou lá em cima, entre os maiores, e chegou, em poucos anos, a bater lá no fundinho do poço. E sim, continuo a respeitar o gajo que me deu O Sexto Sentido, O Protegido e Sinais. Porque esses bastam para apagar da memória o lixo que foi O Último Airbender, a Senhora da Água e agora este Depois da Terra

Bem, neste até tem desculpa, porque a maioria do que saiu dali veio da cabeça dos estúdios e de... Will Smith. Segundo conta a lenda, Will Smith teve mais poder na realização que o próprio Shyamalan
E seria muito fácil fazer uma coisa melhor do que o resultado final. Aqui temos um pai e filho que se despenham num planeta. Com o pai (Will Smith) imobilizado, o filho (Jaden Smith) tem de ir do ponto A até ao ponto B, com os perigos todos do caminho, de modo a conseguirem salvar-se. É uma história básica mas que podia ser contada de forma diferente. Porque o que saiu daqui foi dos filmes mais aborrecidos que vi. Um filme de ficção-científica, que tem acção e suspense e mesmo assim falha??? Alguma coisa correu mal. É que não tem acção praticamente nenhuma e zero de suspense. Narrativamente o filme falha e depois com o casting a não ajudar. Já se sabe que o Jaden Smith só lá está por ser filho de quem é. Mas o gajo é mau actor e não consegue nunca suportar o filme. E depois, como é possível transformar um actor, que é dos mais carismáticos de Hollywood, num personagem tão chato e sem nenhum carisma? Pois... foi o que sucedeu. 

Resumindo e concluindo, um filme sem ponta por onde se pegue, que se arrasta, mas que na sua essência poderia ser muito mais emotivo e tenso.


TOP Shyamalan até ao momento:

1º Signs
1º The Sixth Sense
 Unbreakable
4º The Happening
5º The Village
6º The Last Airbender
7º Lady in the Water
After Earth

(Próximo filme: The Visit. Shyamalan de volta aos pequenos filmes.)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

THE HAPPENING (2008)


"We've Sensed it. We've Seen the Signs. Now... It's Happening."

A frase introdutória serviu de tagline ao filme de hoje, The Happening. E, sinceramente, não sei se é a melhor tagline de sempre ou se a mais armada ao pingarelho. Quem não conhecer os filmes aos quais são feitas referências na frase, fica sem perceber muito bem o sentido. Eu acabo por achar uma boa estratégia de marketing
A história do filme é do mais básico que há, e aqui acabo por não ser spoiler: por alguma razão, as pessoas começam a provocar o suicídio. E pronto, é isto. Pensa-se que será um ataque terrorista, depois não se sabe bem. 
Não me vou alongar muito sobre este filme, porque o que merecia mesmo era um comentário à medida que se vê o filme. Porque são tantos os pormenores e coisas a ser comentadas que é impossível fazê-lo em forma de texto crítico. Desde a cena inicial até ao final que há sempre qualquer pequena coisa que mereceria ser referida.


Antes de mais, é preciso realçar que este é o primeiro filme do Shyamalan rated-R, ou seja, supostamente não é para meninos. Acontece que nunca chegamos a perceber bem o que o filme é. Por um lado, eu acho que a intenção do realizador é fazer uma espécie de drama de horror. Só que o resultado final é bem diferente. Parece mais um filme série B em género de comédia. E se entendermos o filme como uma comédia, acerta na mouche. Tem lá todos os timings. Por isso, o facto de ser rated-R é incompreensível. Seria pelas cenas de mortes, dos suicídios em massa? Não creio... A execução está de tal forma engraçada, que nunca sentimos o medo de um filme de terror, mas achamos piada. É certo que é comédia involuntária, mas acaba por ser comédia. E nesse sentido, acerta na mouche. E para provar que tenho razão, deixo só alguns exemplos de umas cenas que são comédia pura:
- Mark Whalberg faz de professor de ciências e a cena da aula é tão boa.... desde insultar aluno e directora, vale de tudo.
- A cena dos hot-dogs. Porquê? Tão estranha que é impossível não largar uma gargalhada.
- Mark Whalberg a dar uma de Floribella (que referência tão datada) e começa a falar com uma árvore.... de plástico.
- Toda a cena onde os protagonistas procuram refúgio na casa de uma velha meio marada dos cornos. 
E como estas cenas, há mais umas quantas igualmente boas. 

E se quero falar deste filme, sou obrigado a referir as prestações da dupla (Whalberg/ Deschanel). Gosto dos dois actores. Mark Whalberg não tem de provar nada a ninguém. Dêem-lhe o papel certo e ele brilha (Boogie Nights, The Departed, Deepwater Horizon (ver crítica aqui), The Fighter, Lone Survivor (ver crítica aqui), Ted, The Other Guys...). Aqui não percebo bem as orientações que teve do realizador. O que é aquilo?? Ele próprio diz que se arrependeu de fazer o filme: "You can't blame me for wanting to try to play a science teacher. At least I wasn't playing a cop or a crook."

Já a mana Deschanel mais nova, que mesmo não sendo a melhor actriz do mundo, já a vi fazer bem melhor. Juro que na primeira vez que vi o filme, pensei que a personagem dela era atrasada mental. Aquelas expressões faciais dela em conjugação com os seus olhos enormes metiam medo.

No geral, este é daqueles poucos filmes que dá a volta. Ou seja, são tão maus, que no final são óptimos objectos de culto e entretenimento. Quando digo que me divirto a ver o filme, estou a ser o mais sincero possível.

E só para terminar em polémica, como gosto, vou comparar este The Happening a um clássico de sempre do cinema, o The Birds (Alfred Hitchcock). Se substituirmos os pássaros por árvores e temos o mesmo filme. É ou não é? Os pássaros atacavam sem razão (chegamos ao fim sem perceber) e deixaram de o fazer de um momento para o outro. No filme de Shyamalan acontece o mesmo.


(A importância do detalhe para Shyamalan representada nesta cena: "You deserve this!")

TOP Shyamalan até ao momento:

1º Signs
1º The Sixth Sense
 Unbreakable
The Happening
5º The Village
The Last Airbender
7º Lady in the Water

(Próximo filme: After Earth, o filme que junta pai e filho Smith. O filme seguinte deveria ser o The Last Airbender, mas como o revi há uns meses e não me apeteceu escrever sobre ele, passo esse à frente. Digamos apenas que é FRACO).

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

THE RING (2002) & THE RING TWO (2005)


THE RING 

Muitas vezes, a qualidade de um filme de terror depende da sua cena inicial. Essa cena inicial pode ajudar a transportar-nos para o universo que se quer criar. O exemplo perfeito que me lembro é o Scream (Wes Craven). A cena inicial, além de bem escrita e executada, leva-nos logo a perceber o que aí vem.
Acontece que isso não é o caso deste remake americano The Ring. Começa com uma cena interessante, que nos apresenta logo a premissa, mas o resto do filme não é bem isso. Aliás, a minha maior crítica ao filme é mesmo essa: uma pessoa vai ao engano. Pensamos que vamos ver um filme de terror, e depois levamos com quase duas horas de investigação. Ainda por cima, toda essa investigação é do mais aborrecido, porque não se passa nada de especial além de seguir pistas. E se isso funciona com personagens como o Sherlock Holmes ou séries como o CSI, aqui nem por isso. 
Deste filme, toda a gente conhece a premissa inicial. Uma pessoa vê uma cassete VHS, com imagens aparentemente aleatórias, e quando acaba a cassete um telefone toca para avisar que a pessoa que viu vai morrer dentro de sete dias. O filme realmente começa bem, com a cena que envolve duas garotas a falar dessa "lenda" e onde uma morre por ter visto a cassete. Mas agora eu pergunto: e se a pessoa que vir a cassete não tiver telefone ou telemóvel? E se tiver mas não atender? Morre na mesma? 
Depois dessa cena inicial, conhecemos a personagem da Naomi Watts. Mãe solteira com filho cheio de problemas. Onde é que eu já vi isto?
A Naomi decide investigar o caso da morte da miúda (acho que era sobrinha), e por obra do "acaso" consegue encontrar a cassete e decide vê-la. Depois é o filme todo a investigar o caso da Samara (rapariga com cabelo preto da cassete). Claro que lá pelo meio, o filho também vê o filme e por isso a vida dele também fica em perigo. 
Por alguma razão, ao rever este filme só me lembrava da cena inicial e do final. A famosa cena da Samara a sair do ecrã de televisão e a matar um gajo. E sim, essa cena assustou. Está realmente bem feita. E pronto, tinha ideia que o filme era mais assustador. Mas não. Nem o ambiente criado é "assustador", nem nada. Há uma gaja que investiga. E é isto! Desilusão completa. 

Nota final: não faço comparações com o original japonês porque, à hora que escrevo isto, nem me lembro se alguma vez o vi.


THE RING TWO

E vá-se lá saber como, o primeiro filme teve muito sucesso e por isso teve direito a sequela. Chamaram a Naomi Watts e o puto do primeiro e fizeram uma espécie de filme. Este é mais uma salganhada para chupar uns trocos ao público. Sem perceber muito bem porquê, alguém encontra a cassete, faz uma cópia e por causa disso "acorda" a Samara que estava adormecida no poço. O filho da Naomi Watts fica possuído pela gaja, e lá volta a mãe para mais investigações. Lá para o meio do filme há uma cena com renas, que de tão má que era (aquele CGI não se perdoa em 2005) foi a única cena que tinha alguma recordação. Há lá umas peripécias e tal, conseguiram meter o gajo do Mentalista, e desculpem o spoiler, mas tanta coisa e a solução era só fechar o poço. Sim, fechar o poço. Curiosamente quando se fecha o poço, prende-se quem lá está dentro. 
Enfim, foi um filho da puta de filme confuso e sem sentido. Aliás, fez tanto sentido que a sequela deste ano de 2017 (Rings) o ignorou completamente. É hora e meia que ninguém me devolve. 

LADY IN THE WATER (2006)


Mas o que é que eu acabei de ver???? Foda-se Shyamalan... eu confiava em ti. Vai mas é pó caralho mais os teus contozinhos de fadas. Sim, eu sei que é o primeiro a não ter o típico twist final, pois mais valia teres continuado nessa merda de arranjar esses twists em vez de te quereres fazer algo tão "original".
Acho que já deu para perceber que não aprecio deveras este Senhora da Água. Porquê? Foda-se, não basta dizer que é péssimo? É preciso justificar? Não é preciso (pois o blog é meu e eu escrevo o que quiser) mas vou tentar. São alguns minutos que vou perder ainda mais com este filme.

Este filme começa com uma explicação do que é o Blue World e esse mundo de fantasia onde habitam seres. Um desses seres é a Story (Bryce Dallas Howard), uma espécie de sereia ou ninfa. Confesso que a personagem dela me fez lembrar a Leeloo (Milla Jovovich do The Fifth Element). Entretanto temos o Cleveland (Paul Giamatti), que é uma espécie de ser solitário, gago, e que é o "faz-tudo" de um condomínio de apartamentos. E é nesse condomínio que se passa o filme todo. A partir daqui é o desastre, uma salganhada de todo o tamanho, com uma história de bradar aos céus.
Supostamente a ninfa é uma salvadora ou mensageira que vai salvar o mundo. Como? Tornando as pessoas melhores? Eu sei lá. Parece que através de um humano que ela tornaria o mensageiro da palavra. Essa pessoa iria espalhar a palavra e salvar a humanidade. Acontece que há lá uns monstros que, por alguma razão, não querem que isso aconteça, e para isso vão tentar capturar a Story. Para impedir isso, há uma velha chinesa que conhece essa lenda, e diz o que se deve fazer para ajudar a Story. ?????????????? 
Lá pelo meio existe um conjunto de personagens um bocado idiotas, e cada um tem o seu papel na salvação. Há um que é o "curador", "o guardião", um "intérprete"... Nesta altura já não sei bem o que para aqui vai. E quando pensamos que as coisas bateram no fundo, aparece um puto que é esse intérprete. E como é que ele "lê" as mensagens? Nas cartas? Nas mãos? Nada disso... o puto interpreta mensagens que as caixas de cereais dão!!!!! What the FUCK! Até a mãe do Stallone, que lê o futuro em rabos de pessoas (ide pesquisar "rumpologia") tem mais credibilidade que isto. Caixas de cereais!!!
Enfim.... no final tudo se resolve. Final feliz... acho eu.


É pena que o filme seja uma confusão de todo o tamanho. Passa grande parte a auto-explicar-se através dos personagens. Mas o filme tem bom aspecto. Aliás, o visual é mesmo o melhor do filme. Porque de resto não tem nada. Personagens e actores que não cativam. Aliás, o personagem mais engraçado (o crítico de cinema) é completamente sub-aproveitado.

Bem, no geral o filme é um pedaço de cocó com embrulho bonito, mas que não deixa de ser cocó. E daquele que cheira mal a quilómetros.

TOP Shyamalan até ao momento:

1º Signs
1º The Sixth Sense
 Unbreakable
4º The Village
Lady in the Water

(Próximo filme: The Happening. Tenho ideia que é uma bela comédia.)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

THE VILLAGE (2004)


SPOILERS, pois um filme do Shyamalan tem de ter o famoso twist e aqui é possível que revele pormenores.

Depois de um filme de arrepiar os pêlos da nuca (O Sexto Sentido), um dos melhores filmes de super-heróis (O Protegido) e um dos melhores sobre invasões extra-terrestres (Sinais), Shyamalan surge com uma história de amor e paranóia pós 11 de Setembro. Acontece que todo o marketing à volta deste A Vila, fazia crer que estaríamos perante um filme de monstros. E não é isso que acontece. Aqui temos uma comunidade que vive numa vila, e que supostamente os habitantes não poderão sair de lá pois a floresta é habitada por uns monstros. Ora, uma mulher e um homem estão apaixonados (Bryce Dallas Howard & Joaquin Phoenix). Há um terceiro homem (Adrien Brody) que é maluquinho e por ciúmes esfaqueia quase até à morte o personagem do Phoenix. A moça, que por acaso é cega (ou invisual) decide sair da vila para ir à procura de medicamentos que possam salvar o amado. E isto é quase o filme todo. 
A partir daqui começam os twists. E até aqui, o filme corria muito bem. O problema vem com a revelação dos dois principais twists, nomeadamente o primeiro. Não há nenhum momento muito revelador, mas sim muita exposição do que se passa. A certa altura, percebe-se que não existem monstros. Isso não passou de uma história criada pelos mais velhos da comunidade para evitar que abandonassem a vila. Os "monstros" são apenas velhos com disfarces. Acontece que todo o ambiente criado anteriormente faz-nos acreditar que existem realmente monstros. Nada apontava para o contrários. Os sons vindos da floresta, animais mutilados, etc. Ou seja, não há nenhuma pista do contrário. E se não há essas pistas, é preciso que haja muita exposição, nomeadamente por parte do personagem de William Hurt, que é uma espécie de presidente da Junta lá do sítio. Uma pessoa acaba por se sentir enganada. 
O segundo twist é mais honesto e até cai bem. A história, na realidade, passa-se nos tempos modernos e não no passado, como se fazia crer. Tirando o estilo de vida, nunca nos foi passada uma mentira. Nunca é referida uma data, por exemplo. Acabamos por "engolir" melhor este engano. 


No geral, o filme está muito bem executado. Desde a banda-sonora (nomeada a Oscar e tudo), com uns sons de violino do melhor que há, até à fotografia do mestre Roger Deakins. E depois um elenco a acompanhar que não desilude. 

Acaba por ser o filme mais fraco (até à data de estreia - 2004) do Shyamalan, muito por culpa da "obrigatoriedade" de existir um twist
Como curiosidade, houve alguém que referiu as parecenças com o Psycho de Hitchcock. Como em Psycho, aqui o personagem principal é esfaqueado a meio do filme. Não sei se houve inspiração, mas em tempos pensei que Shyamalan poderia vir a ser o novo Hitchcock


TOP Shyamalan até ao momento:

1º Signs
1º The Sixth Sense
 Unbreakable
The Village

(Próximo filme: Lady in the Water. Parece que foi o início do fim.)